Hoje em dia não é difícil abrir as redes sociais e encontrar influenciadores literários. Conhecidos como “bookstagramers” ou “booktokers”, eles são os influenciadores digitais responsáveis por indicar livros de diversos gêneros, escrever resenhas e discutir temáticas específicas de algumas obras.
Esse movimento é importante para promover o interesse em leituras e incentivá-las, já que a pesquisa “Retratos da leitura no Brasil” ,de 2024, apontou que a população leitora do país é de apenas 47%.
Embora esse tipo de iniciativa seja importante para diminuir o número de “não-leitores” no país, a interação entre usuários e o compartilhamento de informações também traz um outro fenômeno que pode ir de encontro com a proposta inicial: a comparação sobre a quantidade de leituras.
Desde os comentários até fóruns específicos, nos deparamos com relatos de pessoas que leem uma quantidade surpreendente por temporada, o que pode causar certo espanto em alguns e sentimentos mistos em outros.
A seguir, falaremos um pouco mais sobre esse tema que tem afetado alguns usuários das redes.
O sonhos das metas inalcançáveis
Muitas pessoas estipulam algumas metas de leitura durante o mês ou durante o ano.
Essa prática estimula o compromisso com a leitura e funciona como um desafio pessoal. Logicamente, não precisa ser algo que te condicione a ler somente aquela quantidade de páginas ou te forçar: deve ser feito de uma forma em que você se sinta confortável e que seja mais flexível com ajustes.
No geral, esse tipo de desafio nos auxilia a entender melhor o nosso ritmo, nossos ciclos e ser mais maleável com algumas expectativas. O segredo está na observação e no ajuste dessas metas, até chegar em algo adaptado a sua própria realidade.
Entretanto, há uma pequena armadilha que surge em alguns desses conteúdos que vemos na internet: a comparação. Não é difícil encontrar páginas em que as pessoas mostram uma quantidade monstruosa de leituras realizadas por semana ou por mês.
São números que, para uma grande parte do público, se tornam inviáveis.
Seja para quem está começando no caminho dos livros ou para quem já é um entusiasta, fica aquela pergunta na cabeça: “será que estou fazendo isso errado?” e a resposta é: não!
Cada leitura é única e deve ser aproveitada no seu próprio ritmo, do contrário, essa imposição de números absurdos a cada temporada pode deixar a pessoa ainda mais desanimada e desestimular o hábito, uma vez que gera mentalmente um tipo de “competição”, e o que seria um lazer, se torna uma obrigação a longo prazo.
O que fazer então para reverter essa sensação
Muitas pessoas realmente conseguem ter um hábito contínuo de leitura e, por se adaptar ou dedicar mais tempo a isso, terão um número maior de leituras no mês, por exemplo. Há aqueles que também leem um romance gigantesco, mas depois sentem a famosa “ressaca literária” e precisam de algo mais suave como um conto ou, até mesmo, uma pausa dos livros ( e quando se trata de algo menos extenso consegue emendar uma leitura na outra).
Mas para grande parte do público essa não é a realidade e outros fatores entram aqui: tempo livre, condições ideais de leitura, o foco em gêneros específicos, o uso ou não de dispositivos móveis (que podem facilitar o transporte, se considerarmos a mídia física)… Aqui há uma infinidade de questões.
Porém, tem algumas coisa que você pode considerar para não entrar na neura de “preciso ler 30 livros ao ano”:
- Essa quantidade de livros está de acordo com minha realidade ou meu hábito de leitura?;
- Essas leituras foram profundas ou mais superficiais?;
- Qual a extensão das obras?;
- A pessoa focou mais em contos ao invés de romances?
Dessa forma você consegue mapear o seu avanço sem se forçar ou se comparar com os demais. Afinal de contas, essa jornada será exclusivamente sua.
Como criar o hábito de leitura?
E para quem está começando agora fica a questão: como posso começar?
Algumas dicas podem ajudar nessa jornada:
- Coloque uma meta honesta: 5 ou 10 minutos, ou um capítulo por dia;
- Caso necessário ajuste essa meta: aumente ou diminua conforme seu ritmo;
- Escolha um gênero do qual você goste: não adianta empurrar um suspense se você gosta mesmo é de romances;
- Não se obrigue a ler um livro que você não gostou até o final. Você pode sim interromper uma leitura que não te agradou
- Divirta-se e aproveite o momento.
Independente de qualquer coisa, use esse momento para relaxar e descobrir novos mundos, novas realidades dentro dos livros. Lembre-se: a leitura é para você e não para competir sobre “quem lê mais ou quem é mais culto”. Aqui não foquei em livros tecnicos e sim de entretenimento, então nada de forçar, hein!
E você, já caiu na cilada da competição? Conta aqui pra gente nos comentários.


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