
Começo de ano vem sempre acompanhado de um ruído estranho. Listas, metas, números. O que chamamos de planejamento, às vezes não é nada mais do que cobrança.
E, no meio disso tudo, começam a aparecer também as montanhas de livros que os outros leram no ano anterior.
Vemos as pilhas, os resumos, as contagens. E, sem perceber, já começamos o ano com uma sensação estranha de estar atrasado. Como se ler fosse uma corrida e a gente estivesse largando atrás de todo mundo. Ou como se o ano só fosse válido se viesse acompanhado de uma meta cumprida.
Mas ler nunca foi sobre quantidade. Alguns livros passam rápidos. Outros exigem pausa. Alguns pedem semanas — ou até meses. Outros são deixados de lado. E tudo bem.
E se a gente usasse janeiro pra relembrar o que realmente importa? Esse não precisa ser mais um mês de pressa. Pode ser um mês de ajuste. De escuta. De silêncio. Um tempo em que a leitura volta a ser o que deveria: um espaço de descanso e reflexão, não de cobrança.
Ler poucas páginas já é leitura.
Reler também é leitura.
Abandonar um livro não é um fracasso.
Talvez o melhor jeito de começar este novo ano não seja correndo atrás das metas dos outros, mas encontrando um ritmo que faça sentido pra gente.
Por aqui, janeiro será assim: menos pressa, menos comparação, menos metas. E mais leitura como processo, com presença.

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