Eu poderia contar uma história de que a Literalices nasceu com um propósito grandioso, um plano de negócios perfeitamente desenhado. Mas a verdade é mais simples: a Literalices nasceu de uma necessidade. Minha licença maternidade estava chegando ao fim e eu não queria trocar o dia a dia com a minha filha por nove horas em um trabalho que já não fazia mais sentido para mim.
Foi dessa busca por uma alternativa que surgiu a ideia de criar uma marca. No começo, eu pretendia trabalhar com camisetas usando estampagem em adesivo de vinil. É por isso, inclusive, que as primeiras camisetas da Literalices eram mais minimalistas: era o que aquele processo permitia.
Enquanto estruturava isso, testei materiais, fornecedores e possibilidades, até encontrar o modelo de print on demand, que tornou viável começar com baixo investimento e a partir de casa.
A literatura já estava em mim desde o início. Sou formada em Letras na USP e os livros fazem parte da forma como vejo o mundo. Tanto é assim que a primeira coisa que compramos para nossa filha, assim que soubemos da gravidez, foi um livro de banho, para bebês.
Ainda assim, por insegurança e por ouvir que “literatura não venderia”, a loja começou vendendo também camisetas de animais, lugares e outros temas que não me representavam. Com o tempo, isso foi ficando insustentável.
Ficou claro que só fazia sentido seguir falando daquilo que eu realmente vivo: os livros. E, aos poucos, essas outras coisas foram saindo, até ficar somente a essência que já estava no nome.
Literalices nasceu da junção de literatura com Clarice, minha filha. Mas também carrega esse som de algo leve, imperfeito, brincalhão.
Como nem tudo são flores, nosso primeiro ano foi difícil, quase sem vendas. A partir do segundo, a loja foi sendo mais conhecida e começou a crescer devagar. Hoje, completando nosso terceiro ano, somos quase 40 mil pessoas por aqui.
Mas, mais do que números, a Literalices existe para que a literatura seja vista, circule, desperte curiosidade. Para que mais pessoas se aproximem dos livros. Para lembrar que a leitura também pode habitar o cotidiano, o corpo, a vida.
No fim das contas, a Literalices surgiu de um encontro entre necessidade e amor pelos livros. E só permanece porque os livros são uma extensão de quem eu sou.

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